U m    l i v r o    e s t á    s e n d o    e s c r i t o    p a r a    q u e m    n ã o    s a b e    l e r
7.12.04
 
Entrevista: Lolita Sala
Educar para combater a pobreza


Fundadora de grupo que alfabetiza na USP conta o nascimento do
projeto, e opina sobre a importância da educação de jovens e adultos


DIANA PELLEGRINI para o Alfa em Ação, em dezembro de 2004. Veja a primeira publicação

O projeto Alfa-USP existe há quase três anos, e hoje tem oito salas de aula dentro da Universidade de São Paulo. Tudo isso nasceu com a ação de alguns estudantes da Faculdade de Economia e Administração, a FEA, onde fica atualmente a sede do projeto. Entre esses estudantes estava Lolita Sala, membro-fundadora do Alfa. Depois de concluir a formação de economista, ela decidiu fazer outro curso: Pedagogia.

DIANA PELLEGRINI
Lolita: "Aqueles que conseguem estudar
conquistam mais dignidade e autonomia"
Para que existe o Alfa-USP?
Lolita — O Alfa existe para combater a pobreza. Nas salas, se discute de muitos jeitos diferentes sobre como a pobreza nasce e por que ela não acaba. Assim, entendemos como funciona o problema da pobreza e podemos combater as suas causas. Além disso, os adultos que conseguem estudar estão conquistando mais dignidade e autonomia. Porque a coisa funciona assim: quem é pobre não tem acesso a boa educação, e sem educação vai ser difícil você conseguir uma renda razoável. É um ciclo vicioso! Mas os alunos estão se educando, estão rompendo o ciclo. E muita gente ainda não tem acesso a isso. O Brasil tem 15 milhões de analfabetos absolutos e outros milhões de analfabetos funcionais, que lêem mas têm dificuldade de entender e escrever textos.

Como esse projeto começou?
Lolita — Em abril de 2001, o Cristovam Buarque, que é economista e depois foi até ministro da Educação, veio à FEA e desafiou os estudantes a agir para acabar com o analfabetismo. O Alfa-USP só começou a tomar forma em janeiro de 2002, com o apoio do Centro Acadêmico da FEA, o Visconde de Cairu.

E o que o Alfa-USP traz de novo?
Lolita — Além de alfabetizar, nós estamos tentando definir um modelo de gestão de entidades sem fins lucrativos que possa ser usado por outros movimentos sociais. Assim, a experiência de montar o Alfa pode ser repetida em outros lugares, e também ajudar outras entidades.

A tarefa de erradicar o analfabetismo no Brasil é muito grande. Você não tem momentos de desânimo?
Lolita — De forma alguma! Primeiro, porque o Alfa-USP não está sozinho: ele é só um dos braços da organização Alfa-Já, que faz outras ações pela alfabetização. E a USP e os outros parceiros da Alfa-Já, como os educadores do Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC, por exemplo, reúnem, juntos, recursos intelectuais e materiais com um potencial enorme.

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